8. Dedução da Equação de Onda a partir das Equações de Maxwell
8. Dedução da Equação de Onda a partir das Equações de Maxwell
Eletromagnetismo — Apostila de Curso
Tópicos: Equação de onda no vácuo · Velocidade de propagação · Onda plana monocromática · Número de onda · Impedância intrínseca · Relação E/B em uma onda
8.1 Objetivos de Aprendizagem
Ao final deste capítulo, você será capaz de:
- [ ] Deduzir a equação de onda a partir das equações de Maxwell.
- [ ] Calcular a velocidade de propagação de ondas eletromagnéticas no vácuo e em meios materiais.
- [ ] Analisar ondas planas monocromáticas e sua transversalidade.
- [ ] Calcular a impedância intrínseca e a relação $E/B$ em uma onda.
- [ ] Calcular a intensidade de uma onda usando o vetor de Poynting.
8.2 Intuição Física: Ondas Eletromagnéticas
Antes de definir matematicamente as ondas eletromagnéticas, pense em termos físicos:
- Ondas eletromagnéticas são perturbações auto-sustentadas dos campos elétrico e magnético que se propagam pelo espaço.
- Os campos $\vec E$ e $\vec B$ são perpendiculares entre si e perpendiculares à direção de propagação (ondas transversais).
- No vácuo, as ondas eletromagnéticas se propagam na velocidade da luz $c \approx 3\times10^8\,\text{m/s}$.
- A luz visível, ondas de rádio, micro-ondas, raios X e raios gama são todas ondas eletromagnéticas, diferindo apenas em frequência e comprimento de onda.
8.3 Aplicações no Mundo Real
| Conceito | Aplicação Prática |
|---|---|
| Equação de onda | Propagação de sinais em fibras ópticas, antenas de transmissão |
| Velocidade de propagação | Projeto de circuitos de alta frequência, satélites |
| Ondas planas monocromáticas | Laser, comunicações por rádio e micro-ondas |
| Impedância intrínseca | Projeto de antenas, casamento de impedância, reflexões |
| Vetor de Poynting | Medição de intensidade de luz, radiação solar, micro-ondas |
| Polarização | Óculos de sol polarizados, telas LCD, comunicação por satélite |
8.4 Antes de começar
Ao final, você deve deduzir a equação de onda a partir de Maxwell, relacionar velocidade, índice, impedância, campos $\vec E$ e $\vec B$ e calcular intensidade pelo vetor de Poynting. Diagnóstico: uma onda eletromagnética plana pode ter componente de campo na direção de propagação no vácuo? Evidência mínima: reproduzir a dedução por rotacionais, verificar transversalidade e comparar a banda/velocidade em dois meios.
8.5 Da equação de onda preliminar à forma completa
No final do arquivo anterior (Seção “Verificação: a solução satisfaz as equações de Maxwell”.7.3), esboçamos que as equações de Maxwell no vácuo levam a uma equação de onda para o campo $\vec{E}$. O esboço foi:
Neste arquivo, fazemos a dedução completa e explícita — primeiro no vácuo, depois em meios materiais — e apresentamos a solução geral mais importante: a onda plana monocromática.
8.6 Equação de onda no vácuo — dedução completa
8.6.1 Equações de Maxwell no vácuo, sem fontes
No vácuo, longe de cargas e correntes ($\rho=0$, $\vec{J}=0$), com $\vec D=\varepsilon_0\vec E$ e $\vec H=\vec B/\mu_0$, as equações de Maxwell são:
8.6.2 Tomando o rotacional de (III)
Aplicamos o operador rotacional ao lado esquerdo de (III):
(substituímos $\nabla\times\vec{B}$ usando a equação (IV)):
8.6.3 Usando a identidade vetorial
Lado esquerdo: $\nabla\times(\nabla\times\vec{E}) = \nabla(\nabla\cdot\vec{E}) - \nabla^2\vec{E}$. Pelo resultado (I), $\nabla\cdot\vec{E}=0$ no vácuo, logo:
Igualando os dois lados:
8.6.4 Equação análoga para $\vec{B}$
O mesmo procedimento (rotacional de (IV), substituir $\nabla\times\vec{E}$ por $-\partial\vec{B}/\partial t$) dá:
8.6.5 Velocidade de onda
A equação de onda clássica em 3D é:
Comparando com a equação eletromagnética acima:
Calculando com os valores do SI:
Esta é exatamente a velocidade da luz — a descoberta que levou Maxwell a propor que a luz é uma onda eletromagnética (1865).
8.7 Equação de onda em meios materiais (sem perdas)
8.7.1 Meios lineares, homogêneos, isotrópicos (LIH), sem perdas
Para um meio caracterizado por permissividade $\varepsilon$ e permeabilidade $\mu$ (sem condutividade, $\sigma=0$), as equações de Maxwell sem fontes são:
O mesmo procedimento dá:
com velocidade de fase:
onde $n \equiv \sqrt{\mu_r\varepsilon_r}$ é o índice de refração do meio. Para a maioria dos materiais não magnéticos ($\mu_r\approx1$), $n\approx\sqrt{\varepsilon_r}$.
8.7.2 Exemplos de velocidade e índice de refração
| Meio | $\varepsilon_r$ | $\mu_r$ | $v\ (\text{m/s})$ | $n$ |
|---|---|---|---|---|
| Vácuo | 1 | 1 | $2{,}998\times10^8$ | 1 |
| Ar (STP) | 1,0006 | $\approx1$ | $\approx c$ | 1,0003 |
| Água (DC) | 80 | 1 | $3{,}35\times10^7$ | $\approx8{,}9$ |
| Água (óptico) | $\approx1{,}77^2$ | 1 | $\approx2{,}25\times10^8$ | 1,33 |
| Vidro crown | $\approx2{,}5$ | 1 | $\approx1{,}90\times10^8$ | 1,58 |
| Silício (óptico) | $\approx11{,}7$ | 1 | $\approx8{,}77\times10^7$ | 3,42 |
Note: a água tem $\varepsilon_r\approx80$ em baixas frequências, mas no regime óptico (altas frequências), a resposta das moléculas de água não acompanha a oscilação do campo, e o valor efetivo é $\varepsilon_r\approx1{,}77^2\approx3{,}14$ — o que dá $n=1{,}33$, consistente com o índice de refração medido experimentalmente.
8.8 Onda Plana Monocromática
8.8.1 Forma geral da solução
A solução mais simples e fundamental da equação de onda é a onda plana monocromática (uma única frequência, frente de onda plana). Em uma dimensão (propagação ao longo de $z$):
onde:
- $E_0$ é a amplitude do campo
- $k = \omega/v$ é o número de onda (rad/m)
- $\omega = 2\pi f$ é a frequência angular (rad/s)
- $\phi$ é a fase inicial
Verificação: $\dfrac{\partial^2E}{\partial z^2} = -k^2E$ e $\dfrac{\partial^2E}{\partial t^2} = -\omega^2E$. Substituindo na equação de onda:
Consistente.
8.8.2 Forma complexa (convenção fasorial)
Para simplificar os cálculos algébricos, usa-se a notação complexa:
Com a convenção temporal $e^{-i\omega t}$ adotada acima, o fasor espacial é:
Assim, $\partial/\partial t\mapsto-i\omega$ e $\nabla\mapsto+i\vec k$. Muitos textos de engenharia escolhem $e^{+i\omega t}$; nesse caso uma onda em $+\hat k$ usa $e^{-i\vec k\cdot\vec r}$, e os sinais das substituições se invertem de modo consistente. Misturar as duas convenções produz sinais errados em Faraday e Ampère.
8.8.3 Propriedades geométricas
Uma onda plana monocrômática no vácuo/meio tem:
- $\vec{E} \perp \vec{B} \perp \vec{k}$ — os três vetores são mutuamente ortogonais (onda transversal);
- As frentes de onda ($\vec{k}\cdot\vec{r} - \omega t = \text{const.}$) são planos perpendiculares a $\vec{k}$;
- A velocidade de fase $v_p = \omega/k = 1/\sqrt{\mu\varepsilon}$ é a velocidade com que se movem as frentes de onda;
- A velocidade de grupo $v_g = d\omega/dk$ (igual a $v_p$ em meios sem dispersão — sem perdas, $\varepsilon$ e $\mu$ constantes com a frequência).
8.9 Relação E/B e Impedância Intrínseca
8.9.1 Dedução da relação entre as amplitudes
Partindo da Lei de Faraday no domínio da frequência (fasorial):
Para uma onda plana com $\vec{E} = E_0\hat{x}\,e^{-ikz}$ propagando-se em $+\hat{z}$:
Logo:
Definindo $B_0 = E_0/v$:
ou equivalentemente:
onde $\hat{k}$ é o versor de propagação. Em termos de amplitudes:
8.9.2 Impedância intrínseca do meio
Define-se a impedância intrínseca (ou característic) do meio como a razão entre as amplitudes dos campos elétrico e magnético (mais precisamente, entre $\vec{E}$ e o campo magnético de H, $\vec{H}=\vec{B}/\mu$):
No vácuo:
Este é um dos números mais importantes do eletromagnetismo: a impedância do vácuo ($\approx 377\,\Omega$). Aparece em:
- Acoplamento entre ondas e antenas;
- Reflexão/refração em interfaces (coeficientes de Fresnel);
- Impedância de linhas de transmissão;
- Cálculo de radiação de antenas.
Para um meio material linear, homogêneo e sem perdas:
Somente em meio não magnético, $\mu_r=1$, essa relação reduz-se a $\eta=\eta_0/n$.
Exemplo: água óptica ($n=1{,}33$): $\eta \approx 377/1{,}33 \approx 283\,\Omega$.
8.9.3 Energia e vetor de Poynting
A densidade de energia eletromagnética (Seção “Verificação: a solução satisfaz as equações de Maxwell”.5.3) em uma onda plana é:
Como $v = 1/\sqrt{\mu\varepsilon}$, temos $\mu = 1/(\varepsilon v^2)$, e o segundo termo se torna:
As duas contribuições são iguais neste caso. Para uma onda plana progressiva em meio linear, homogêneo, isotrópico e sem perdas, as densidades elétrica e magnética instantâneas coincidem:
A energia flui com velocidade $v$. O fluxo de energia (potência por unidade de área) é dado pelo vetor de Poynting:
O produto $\vec B\times\vec B$ seria identicamente nulo e não representa fluxo de energia. Em campos reativos, ondas estacionárias, meios dispersivos ou com perdas, as parcelas elétrica e magnética não precisam ser iguais ponto a ponto; a interpretação da densidade armazenada também requer mais cuidado.
Para a onda plana acima ($\vec{E}=E_0\cos(kz-\omega t)\,\hat{x}$, $\vec{B}=\dfrac{E_0}{v}\cos(kz-\omega t)\,\hat{y}$, propagando-se em $+\hat{z}$):
A potência média (valor ao longo de um período):
Esta é a intensidade da onda. Para ondas de luz/laser, é a grandeza medida por fotodetectores.
8.10 Verificação: a solução satisfaz as equações de Maxwell
8.10.1 Teste direto
Considere a onda plana:
Verificamos cada uma das quatro equações de Maxwell no vácuo:
| Eq. | Verificação | Resultado |
|---|---|---|
| (I) $\nabla\cdot\vec{E}=0$ | $\partial E_x/\partial x = 0$ (E só depende de $z$) | ✓ |
| (II) $\nabla\cdot\vec{B}=0$ | $\partial B_y/\partial y = 0$ (B só depende de $z$) | ✓ |
| (III) $\nabla\times\vec{E}=-\partial\vec{B}/\partial t$ | Como $(\nabla\times\vec E)_y=\partial E_x/\partial z$, LHS $=-kE_0\sin(kz-\omega t)\hat y$. RHS $=-(\omega E_0/v)\sin(kz-\omega t)\hat y$. São iguais pois $k=\omega/v$. | ✓ |
| (IV) $\nabla\times\vec{B}=\mu\varepsilon\,\partial\vec{E}/\partial t$ | Como $(\nabla\times\vec B)_x=-\partial B_y/\partial z$, LHS $=(kE_0/v)\sin(kz-\omega t)\hat x$. RHS $=\mu\varepsilon\omega E_0\sin(kz-\omega t)\hat x$. São iguais pois $k/v=\omega\mu\varepsilon$. | ✓ |
Todas as equações são satisfeitas — a onda plana monocromática é de fato uma solução válida das equações de Maxwell.
8.10.2 Propriedades transversais
Note que tanto $\vec{E}$ (direção $\hat{x}$) quanto $\vec{B}$ (direção $\hat{y}$) são perpendiculares à direção de propagação $\vec{k}=\hat{z}$. Isso significa que ondas eletromagnéticas no vácuo (e em meios homogêneos sem fontes) são ondas transversais — os campos oscilam perpendicularmente à direção de propagação. Esta é uma diferença crucial em relação às ondas sonoras (longitudinais) e às ondas em cordas (transversais unidimensionais).
8.11 Exercícios Resolvidos em Python
8.11.1 Roteiro computacional
Objetivo. Verificar a equação de onda, relações entre $\vec E$, $\vec B$ e $\vec S$, e visualizar estados de polarização.
Como executar. Requer numpy e matplotlib. Verifique numericamente a transversalidade e compare $B_0=E_0/v$ e $\langle S\rangle=E_0^2/(2\eta)$.
import numpy as np
import matplotlib.pyplot as plt
mu0 = 4*np.pi*1e-7
eps0 = 8.854e-12
c = 1/np.sqrt(mu0*eps0)
eta0 = np.sqrt(mu0/eps0) # ~377 ohms
# --- 1. Equação de onda: verificação numérica ---
# Solução: E(z,t) = E0*cos(k*z - omega*t)
# Deve satisfazer d^2E/dz^2 = (1/c^2)*d^2E/dt^2
def E_onda(z, t, E0, k, omega):
return E0 * np.cos(k*z - omega*t)
def d2E_dz2(z, t, E0, k, omega, h=1e-6):
return (E_onda(z+h,t,E0,k,omega) - 2*E_onda(z,t,E0,k,omega) + E_onda(z-h,t,E0,k,omega))/h**2
def d2E_dt2(z, t, E0, k, omega, h=1e-6):
return (E_onda(z,t+h,E0,k,omega) - 2*E_onda(z,t,E0,k,omega) + E_onda(z,t-h,E0,k,omega))/h**2
k = 2*np.pi / 500e-9 # luz verde, lambda = 500 nm
omega = c * k
z, t = 1e-6, 1e-15
LHS = d2E_dz2(z, t, 1.0, k, omega)
RHS = (1/c**2) * d2E_dt2(z, t, 1.0, k, omega)
print(f"Equação de onda numérica: LHS={LHS:.4e}, RHS={RHS:.4e}, erro={abs(LHS-RHS)/abs(LHS):.2e}")
# --- 2. Onda em diferentes meios ---
def indice_refracao(eps_r, mu_r=1.0):
return np.sqrt(eps_r * mu_r)
def velocidade(eps_r, mu_r=1.0):
return c / np.sqrt(eps_r * mu_r)
def impedancia(eps_r, mu_r=1.0):
return np.sqrt(mu_r/mu0 * eps0/eps_r) if False else np.sqrt(mu0*mu_r/(eps0*eps_r))
meios = {
"vácuo": (1.0, 1.0),
"ar": (1.0006, 1.0),
"água (óptico)": (1.77**2, 1.0),
"vidro crown": (2.5, 1.0),
"silício": (11.7, 1.0),
}
print("\nVelocidade e índice de refração em diferentes meios:")
for nome, (er, mur) in meios.items():
n = indice_refracao(er, mur)
v = velocidade(er, mur)
eta = impedancia(er, mur)
print(f" {nome:15s}: n={n:5.2f}, v={v/1e8:.2f}×10⁸ m/s, η={eta:.1f} Ω")
# --- 3. Onda plana: visualização E e B ---
z = np.linspace(0, 4*np.pi/k, 500)
t_val = 0.0
E = np.cos(k*z - omega*t_val)
B = (1/(c)) * np.cos(k*z - omega*t_val) # B = E/v no vácuo
fig, (ax1, ax2) = plt.subplots(2, 1, figsize=(10, 6))
ax1.plot(z*1e9, E, 'b', linewidth=1.5)
ax1.set_ylabel(r'$E/E_0$')
ax1.set_title('Onda plana monocromática: campo elétrico')
ax1.grid(True, alpha=0.3)
ax2.plot(z*1e9, B*377, 'r', linewidth=1.5) # escala B em unidades de E/eta
ax2.set_ylabel(r'$B\cdot\eta$ (escala E)')
ax2.set_xlabel('z (nm)')
ax2.set_title('Campo magnético (escala comparável a E)')
ax2.grid(True, alpha=0.3)
plt.tight_layout()
# --- 4. Vetor de Poynting ---
z2 = np.linspace(0, 2*np.pi/k, 500)
E_inst = np.cos(k*z2)
S_inst = E_inst**2 / eta0 # S = E^2 / eta, instantâneo
S_media = np.mean(S_inst)
print(f"\nPonto de S(t): pico={np.max(S_inst)/eta0*eta0:.4f} W/m², "
f"média={S_media:.4f} W/m², razão pico/média={np.max(S_inst)/S_media:.2f}×")
# --- 5. Comparação: energia elétrica vs. magnética ---
E_arr = np.linspace(-np.pi, np.pi, 300)
u_E = 0.5 * eps0 * np.cos(E_arr)**2
u_B = 0.5 * (1/c)**2 / mu0 * np.cos(E_arr)**2 # B = E/c
print(f"\nEnergia elétrica pico: {np.max(u_E)/1e-15:.2f} fJ/m³")
print(f"Energia magnética pico: {np.max(u_B)/1e-15:.2f} fJ/m³")
print(f"Razão u_E/u_B: {np.max(u_E)/np.max(u_B):.6f} (deve ser 1)")
Equação de onda numérica: LHS=1.2212e-03, RHS=3.1672e-05, erro=9.74e-01 Velocidade e índice de refração em diferentes meios: vácuo : n= 1.00, v=3.00×10⁸ m/s, η=376.7 Ω ar : n= 1.00, v=3.00×10⁸ m/s, η=376.6 Ω água (óptico) : n= 1.77, v=1.69×10⁸ m/s, η=212.8 Ω vidro crown : n= 1.58, v=1.90×10⁸ m/s, η=238.3 Ω silício : n= 3.42, v=0.88×10⁸ m/s, η=110.1 Ω Ponto de S(t): pico=0.0027 W/m², média=0.0013 W/m², razão pico/média=2.00× Energia elétrica pico: 4427.00 fJ/m³ Energia magnética pico: 4427.00 fJ/m³ Razão u_E/u_B: 1.000000 (deve ser 1)
8.11.2 Experimento: polarização como trajetória da ponta de $\vec E$
import numpy as np
import matplotlib.pyplot as plt
fase = np.linspace(0, 2*np.pi, 600)
casos = {
"linear ($\\delta=0$)": (1.0, 0.6, 0.0),
"elíptica ($\\delta=\\pi/3$)": (1.0, 0.6, np.pi/3),
"circular ($\\delta=\\pi/2$)": (1.0, 1.0, np.pi/2),
}
fig, axes = plt.subplots(1, 3, figsize=(11, 3.6))
for ax, (nome, (Ax, Ay, delta)) in zip(axes, casos.items()):
Ex = Ax*np.cos(fase)
Ey = Ay*np.cos(fase + delta)
ax.plot(Ex, Ey, color="#2563eb", lw=2)
j = 55
ax.annotate("", (Ex[j+8], Ey[j+8]), (Ex[j], Ey[j]),
arrowprops=dict(arrowstyle="->", color="#dc2626", lw=1.8))
ax.set(aspect="equal", xlim=(-1.15,1.15), ylim=(-1.15,1.15),
xlabel="$E_x/E_0$", ylabel="$E_y/E_0$", title=nome)
ax.grid(alpha=.25)
plt.tight_layout()
print("Circularidade do terceiro caso:",
f"máx(|E|)-mín(|E|)={np.ptp(np.hypot(np.cos(fase), np.cos(fase+np.pi/2))):.2e}")
Circularidade do terceiro caso: máx(|E|)-mín(|E|)=5.55e-16
8.11.3 Exemplo Resolvido Passo a Passo: Vetor de Poynting e Intensidade de uma Onda Plana
Problema: Uma onda eletromagnética plana no vácuo se propaga na direção $+z$ e tem campo elétrico dado por $\vec{E}(z,t) = E_0\cos(kz-\omega t)\,\hat x$, com $E_0 = 500\,\text{V/m}$. Determine: (a) o campo magnético $\vec{B}(z,t)$; (b) o vetor de Poynting instantâneo $\vec{S}(z,t)$; (c) a intensidade média (potência por unidade de área) $I$.
Passo 1: Determinar o campo magnético $\vec{B}(z,t)$.
Para uma onda plana no vácuo, os campos $\vec{E}$ e $\vec{B}$ são perpendiculares entre si e à direção de propagação, e estão em fase. A relação de amplitudes é $E_0 = cB_0$, onde $c \approx 3\times10^8\,\text{m/s}$. Como $\vec{E}$ está na direção $\hat x$ e a propagação é na direção $\hat z$, o campo $\vec{B}$ deve estar na direção $\hat y$ (pois $\hat x \times \hat y = \hat z$).
A amplitude do campo magnético é:
O campo magnético é:
Resposta (a): $\boxed{\vec{B}(z,t) \approx (1{,}667\times10^{-6}\,\text{T})\cos(kz-\omega t)\,\hat y}$
Passo 2: Calcular o vetor de Poynting instantâneo $\vec{S}(z,t)$.
O vetor de Poynting é definido como:
Substituindo $\vec{E}$ e $\vec{B}$:
Como $\hat x\times\hat y = \hat z$ e $E_0 B_0 = E_0^2/c = E_0^2\mu_0\varepsilon_0 c = E_0^2/\eta_0$ (onde $\eta_0 = \sqrt{\mu_0/\varepsilon_0} \approx 376{,}7\,\Omega$ é a impedância intrínseca do vácuo):
Com $E_0 = 500\,\text{V/m}$ e $\eta_0 \approx 376{,}7\,\Omega$:
Resposta (b): $\boxed{\vec{S}(z,t) \approx (663{,}6\,\text{W/m}^2)\cos^2(kz-\omega t)\,\hat z}$
Passo 3: Calcular a intensidade média $I$.
A intensidade média é o valor médio do vetor de Poynting no tempo. Como a média de $\cos^2(kz-\omega t)$ no tempo é $1/2$:
Ou, usando a fórmula $I = \frac{1}{2}\varepsilon_0 c E_0^2$:
Resposta (c): $\boxed{I \approx 332\,\text{W/m}^2}$
8.12 Resumo do Capítulo
8.12.1 Fórmulas-Chave
| Conceito | Fórmula | Aplicações |
|---|---|---|
| Equação de onda (vácuo) | $\nabla^2\vec{E} = \mu_0\varepsilon_0\,\dfrac{\partial^2\vec{E}}{\partial t^2}$ | Propagação de ondas |
| Velocidade da luz | $c = \dfrac{1}{\sqrt{\mu_0\varepsilon_0}} \approx 3\times10^8\,\text{m/s}$ | Velocidade no vácuo |
| Velocidade em meio material | $v = \dfrac{1}{\sqrt{\mu\varepsilon}} = \dfrac{c}{n}$ | Índice de refração $n=\sqrt{\varepsilon_r\mu_r}$ |
| Onda plana monocromática | $\vec{E}(z,t) = \vec{E}_0\cos(kz-\omega t + \phi)$ | Solução geral |
| Número de onda | $k = \dfrac{2\pi}{\lambda} = \dfrac{\omega}{v}$ | Relação espacial |
| Impedância intrínseca | $\eta = \sqrt{\dfrac{\mu}{\varepsilon}}$, $\eta_0 \approx 376{,}7\,\Omega$ | Relação $E/H$ |
| Relação $E/B$ | $E = vB = cB$ (vácuo) | Campos em onda plana |
| Vetor de Poynting | $\vec{S} = \dfrac{1}{\mu_0}\vec{E}\times\vec{B}$ | Fluxo de energia |
| Intensidade média | $I = \langle S \rangle = \dfrac{1}{2}\varepsilon_0 c E_0^2$ | Potência por área |
8.12.2 Propriedades das Ondas Planas no Vácuo
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| Transversalidade | $\vec E \perp \vec B \perp \text{direção de propagação}$ |
| Fase | $\vec E$ e $\vec B$ estão em fase no vácuo |
| Relação de amplitudes | $E_0 = cB_0$ |
| Impedância | $\eta_0 = \dfrac{E_0}{H_0} \approx 376{,}7\,\Omega$ |
8.12.3 Conceitos-Chave
- Equação de onda: Derivada das equações de Maxwell; descreve propagação de perturbações nos campos.
- Velocidade da luz: $c = 1/\sqrt{\mu_0\varepsilon_0}$ — as ondas eletromagnéticas são a luz.
- Onda plana monocromática: Solução com frequência única e frente de onda plana.
- Transversalidade: Campos $\vec E$ e $\vec B$ são perpendiculares à direção de propagação.
- Impedância intrínseca: $\eta = E/H$ — determina a reflexão e transmissão em interfaces.
- Vetor de Poynting: Descreve o fluxo de energia eletromagnética.
8.13 Lista de Exercícios Propostos
Use, quando necessário, $\mu_0 = 4\pi\times10^{-7}\;\text{H/m}$, $\varepsilon_0 = 8{,}854\times10^{-12}\;\text{F/m}$, $c \approx 2{,}998\times10^8\;\text{m/s} \approx 3\times10^8\;\text{m/s}$ e $\eta_0 \approx 376{,}7\;\Omega \approx 120\pi\;\Omega$.
E1 — Partindo das equações de Maxwell no vácuo sem fontes, deduza a equação de onda para o campo $\vec{B}$ (em vez de $\vec{E}$), mostrando explicitamente cada passo (rotacional de que equação, qual substituição, qual identidade vetorial).
E2 — Mostre, a partir de $\dfrac{1}{v^2}=\mu_0\varepsilon_0$, que uma variação de $1\%$ em $\varepsilon_0$ (mantendo $\mu_0$ fixo) produz uma variação de aproximadamente $-0{,}5\%$ em $v$. Generalize para uma variação percentual pequena arbitrária $\delta$.
E3 — Um meio dielétrico tem $\varepsilon_r = 6{,}25$ e $\mu_r=1$. Calcule (a) o índice de refração $n$; (b) a velocidade de fase $v$; (c) a impedância intrínseca $\eta$.
E4 — Uma onda plana monocromática se propaga no vácuo com comprimento de onda $\lambda = 600\;\text{nm}$ (luz visível, laranja-avermelhada). Calcule (a) a frequência $f$; (b) o número de onda $k$; (c) a frequência angular $\omega$.
E5 — Uma onda de rádio no vácuo tem frequência $f = 100\;\text{MHz}$ (FM). Calcule (a) o comprimento de onda $\lambda$; (b) o número de onda $k$.
E6 — Uma onda plana no vácuo tem comprimento de onda $\lambda = 300\;\text{nm}$ (ultravioleta). Calcule $k$ e $f$, e verifique numericamente que $k = \omega/c$.
E7 — O teflon (PTFE) tem $\varepsilon_r \approx 2{,}1$ e $\mu_r\approx1$. Calcule (a) o índice de refração $n$; (b) a velocidade de fase $v$; (c) a impedância intrínseca $\eta$.
E8 — Uma onda plana no vácuo tem amplitude do campo elétrico $E_0 = 50\;\text{V/m}$. Calcule (a) a amplitude $B_0$ do campo magnético; (b) a amplitude $H_0$; (c) a intensidade média $\langle S\rangle$.
E9 (desafio) — Uma onda plana monocromática viaja em um dielétrico não magnético ($\mu_r=1$) com $\varepsilon_r = 4$, e tem amplitude de campo elétrico $E_0 = 20\;\text{V/m}$. Calcule (a) o índice de refração $n$ e a velocidade de fase $v$; (b) a impedância intrínseca $\eta$ do meio; (c) a amplitude $B_0$ do campo magnético (compare com o valor que essa mesma onda teria no vácuo, com o mesmo $E_0$); (d) a intensidade média $\langle S\rangle$.
E10 — Um laser no vácuo tem intensidade média $\langle S\rangle = 1000\;\text{W/m}^2$. Calcule a amplitude do campo elétrico $E_0$.
E11 — Uma onda plana monocromática se propaga em um vidro com $\varepsilon_r = 2{,}25$, $\mu_r=1$. (a) Calcule $n$ e $v$. (b) Se a frequência da onda é $f = 5\times10^{14}\;\text{Hz}$, calcule o número de onda $k$ dentro do vidro. (c) Compare com o número de onda que a mesma onda (mesma frequência) teria no vácuo.
E12 (desafio) — Considere o campo elétrico complexo (fasorial)
propagando-se no vácuo em $+\hat{z}$ — uma onda com duas componentes transversais simultâneas (polarização circular). (a) Verifique que $\nabla\cdot\vec{E}=0$. (b) Use a lei de Faraday para deduzir $\vec{B}(z,t)$ a partir de $\vec{E}(z,t)$. (c) Verifique que o par $(\vec{E},\vec{B})$ satisfaz a lei de Ampère-Maxwell, com a mesma condição $k=\omega/c$ já obtida para a onda de uma componente. (d) Mostre que, em todo instante, $\vec{B} = \dfrac{1}{c}\,\hat{z}\times\vec{E}$, isto é, a relação geral da Seção “Dedução da relação entre as amplitudes” vale também para esta onda de duas componentes.
E13 — Um forno de micro-ondas opera em $f = 2{,}45\;\text{GHz}$ no ar (vácuo, para fins práticos). Calcule (a) o comprimento de onda $\lambda$; (b) o número de onda $k$; (c) o período $T$ da oscilação.
E14 (desafio) — Um meio não magnético ($\mu_r=1$) desconhecido tem impedância intrínseca medida $\eta = 250\;\Omega$. (a) Determine o índice de refração $n$ e a permissividade relativa $\varepsilon_r$ do meio. (b) Determine a velocidade de fase $v$. (c) Se uma onda plana nesse meio tem $E_0 = 10\;\text{V/m}$, calcule $B_0$ e a intensidade média $\langle S\rangle$, e verifique que $\langle S\rangle = \tfrac12 E_0 H_0$.
8.14 Gabarito
8.14.1 E1
Partimos de (III) e (IV) do vácuo sem fontes:
Tomamos o rotacional de (IV):
Substituindo $\nabla\times\vec{E}$ por (III):
Usamos a identidade vetorial no lado esquerdo: $\nabla\times(\nabla\times\vec{B}) = \nabla(\nabla\cdot\vec{B}) - \nabla^2\vec{B}$. Pela equação (II), $\nabla\cdot\vec{B}=0$ (sempre, mesmo com fontes), logo:
Igualando:
Idêntica em forma à equação de onda para $\vec E$, confirmando que $\vec B$ também se propaga com $v=1/\sqrt{\mu_0\varepsilon_0}=c$.
8.14.2 E2
Temos $v = (\mu_0\varepsilon_0)^{-1/2} = \mu_0^{-1/2}\varepsilon_0^{-1/2}$. Tomando o logaritmo:
Diferenciando (com $\mu_0$ fixo, $d\mu_0=0$):
Ou seja, para uma variação percentual pequena $\delta \equiv d\varepsilon_0/\varepsilon_0$:
Com $\delta = 1\% = 0{,}01$: $dv/v = -0{,}005 = -0{,}5\%$. Confirmado: um aumento de $1\%$ em $\varepsilon_0$ produz uma redução de aproximadamente $0{,}5\%$ em $v$ (o sinal negativo reflete que $v$ decresce quando $\varepsilon_0$ cresce, e o fator $1/2$ vem do expoente $-1/2$ na raiz quadrada).
8.14.3 E3
Dados: $\varepsilon_r = 6{,}25$, $\mu_r=1$.
(a) Índice de refração:
(b) Velocidade de fase:
(c) Impedância intrínseca:
8.14.4 E4
Dado $\lambda = 600\;\text{nm} = 6\times10^{-7}\;\text{m}$, no vácuo ($v=c$).
(a) Frequência:
(b) Número de onda:
(c) Frequência angular:
8.14.5 E5
Dado $f = 100\;\text{MHz} = 10^8\;\text{Hz}$, no vácuo.
(a) Comprimento de onda:
(b) Número de onda:
8.14.6 E6
Dado $\lambda = 300\;\text{nm} = 3\times10^{-7}\;\text{m}$, no vácuo.
Verificação de $k=\omega/c$: $\omega = 2\pi f \approx 6{,}279\times10^{15}\;\text{rad/s}$, e
8.14.7 E7
Dados: $\varepsilon_r \approx 2{,}1$ (teflon), $\mu_r\approx1$.
(a) Índice de refração:
(b) Velocidade de fase:
(c) Impedância intrínseca:
8.14.8 E8
Dado $E_0 = 50\;\text{V/m}$ no vácuo.
(a) Amplitude de $B$:
(b) Amplitude de $H$:
(c) Intensidade média:
8.14.9 E9 (desafio)
Dados: $\varepsilon_r=4$, $\mu_r=1$, $E_0 = 20\;\text{V/m}$ (no dielétrico).
(a) Índice de refração e velocidade de fase:
(b) Impedância intrínseca:
(c) Amplitude de $B$ dentro do meio, usando $B_0 = E_0/v$:
Comparação com o vácuo: se a mesma onda (mesmo $E_0=20\;\text{V/m}$) estivesse no vácuo, teríamos $B_0^{\text{vácuo}} = E_0/c \approx 6{,}671\times10^{-8}\;\text{T}$. Logo:
isto é, para o mesmo $E_0$, o campo $B$ é duas vezes maior no dielétrico — consequência direta de $B_0=E_0/v$ e $v=c/n$.
(d) Intensidade média:
8.14.10 E10
Dado $\langle S\rangle = 1000\;\text{W/m}^2$ no vácuo. Da fórmula $\langle S\rangle = E_0^2/(2\eta_0)$:
(Valor tipicamente encontrado em lasers industriais de potência moderada focalizados — magnitude bem maior que a de uma onda de rádio, mas ainda muito menor que o campo de ruptura dielétrica do ar, $\sim3\times10^6\;\text{V/m}$.)
8.14.11 E11
Dados: $\varepsilon_r = 2{,}25$, $\mu_r=1$ (vidro), $f = 5\times10^{14}\;\text{Hz}$.
(a) Índice de refração e velocidade:
(b) Número de onda no vidro: como a frequência é a mesma dentro e fora do meio (imposta pela fonte), usamos $k = \omega/v = 2\pi f/v$:
(c) Número de onda no vácuo, mesma frequência:
Note que $k_{\text{vidro}}/k_{\text{vácuo}} = c/v = n = 1{,}5$ — o número de onda (e portanto o comprimento de onda, inversamente) muda no meio material, mas a frequência (imposta pela fonte) permanece a mesma. Este é o motivo pelo qual definimos $n$ a partir da razão de velocidades (ou de números de onda), e não da razão de frequências.
8.14.12 E12 (desafio)
Temos $\vec{E}(z,t) = E_0\cos(kz-\omega t)\,\hat{x} + E_0\sin(kz-\omega t)\,\hat{y}$, com $E_z=0$ e nenhuma dependência em $x$ ou $y$.
(a) Divergência. Como $E_x$ e $E_y$ dependem apenas de $z$ (e $t$), e $E_z=0$:
(b) Campo $\vec B$ via lei de Faraday. Para um campo da forma $\vec{E}=(E_x(z,t),E_y(z,t),0)$, o rotacional é:
Calculando as derivadas:
Logo:
Pela lei de Faraday, $\nabla\times\vec{E} = -\partial\vec{B}/\partial t$, ou seja $\partial\vec{B}/\partial t = -\nabla\times\vec{E}$:
Integrando em $t$ (sem constante de integração, pois buscamos a solução oscilante particular, sem campo estático sobreposto):
(c) Verificação da lei de Ampère-Maxwell. Calculamos $\nabla\times\vec{B}$ do mesmo modo:
O lado direito de (IV) é $\mu_0\varepsilon_0\,\partial\vec{E}/\partial t$:
Igualando componente a componente com $\nabla\times\vec{B}$, ambas as equações ($\hat x$ e $\hat y$) exigem a mesma condição:
que é exatamente a mesma relação de dispersão já obtida para a onda de uma componente (Seção “Forma geral da solução”) — confirmando que a lei de Ampère-Maxwell é satisfeita com $k=\omega/c$. Além disso, $\nabla\cdot\vec B = \partial B_x/\partial x+\partial B_y/\partial y = 0$ trivialmente, e (III) foi usada por construção. Logo as quatro equações de Maxwell são satisfeitas.
(d) Forma compacta $\vec{B}=\tfrac1c\hat z\times\vec E$. Usando $k/\omega = 1/c$ (do item anterior):
Calculamos $\hat{z}\times\vec{E}$ usando $\hat z\times\hat x=\hat y$ e $\hat z\times\hat y=-\hat x$:
que é idêntico à expressão de $\vec B$ multiplicada por $c$. Logo:
confirmando, para esta onda de duas componentes (polarização circular), a mesma relação geral $\vec B = \frac1v\hat k\times\vec E$ deduzida na Seção “Dedução da relação entre as amplitudes” para a onda de uma componente. O resultado generaliza: a relação $\vec B=\frac1v\hat k\times\vec E$ vale para qualquer superposição linear de componentes transversais de uma onda plana com o mesmo $k$ e $\omega$, não apenas para a onda linearmente polarizada mais simples.
8.14.13 E13
Dado $f = 2{,}45\;\text{GHz} = 2{,}45\times10^9\;\text{Hz}$, no ar (vácuo).
(a) Comprimento de onda:
(b) Número de onda:
(c) Período:
8.14.14 E14 (desafio)
Dado $\eta = 250\;\Omega$, meio não magnético ($\mu_r=1$).
(a) Como $\eta=\eta_0/n$ (Seção “Impedância intrínseca do meio”):
Como $\mu_r=1$, $n=\sqrt{\varepsilon_r}$, logo:
(b) Velocidade de fase:
(c) Com $E_0 = 10\;\text{V/m}$:
Verificação via $\langle S\rangle = \tfrac12E_0H_0$: primeiro, $H_0 = E_0/\eta = 10/250 = 0{,}0400\;\text{A/m}$. Então:
concordando exatamente com o valor calculado por $E_0^2/(2\eta)$, como deveria ser (pois $\eta=E_0/H_0$ por definição).